O dever de fundamentação e o uso de inteligência artificial na redação de decisões judiciais

##plugins.themes.bootstrap3.article.main##

Oscar Valente Cardoso

Resumo

O uso crescente de sistemas de inteligência artificial (IA) no Poder Judiciário brasileiro, ainda que predominantemente voltado a atividades de apoio e gestão processual, produz impactos indiretos relevantes sobre a técnica decisória e sobre a fundamentação das decisões judiciais. A padronização de modelos decisórios, a reutilização automatizada de fundamentos e a utilização de modelos de IA generativa intensificam riscos já conhecidos de fundamentação aparente, agora potencializados por ferramentas algorítmicas invisíveis aos jurisdicionados e aos demais sujeitos processuais. Nesse contexto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), enquanto Corte responsável pela uniformização da interpretação do direito infraconstitucional e pela consolidação do sistema de precedentes, desempenha um papel relevante na contenção de práticas decisórias que fragilizam o controle recursal e o princípio do contraditório. O presente artigo analisa, sob uma perspectiva jurídico-processual, os efeitos da inteligência artificial sobre a fundamentação judicial. Ao final, propõe parâmetros mínimos para assegurar que a técnica decisória, mesmo em ambiente tecnologicamente mediado, permaneça compatível com o art. 489 do CPC, com a exigência constitucional de fundamentação e com a função institucional do STJ.

##plugins.themes.bootstrap3.article.details##

Seção
Artigos
Biografia do Autor

Oscar Valente Cardoso

Doutor em Direito (UFRGS), Mestre em Direito e Relações Internacionais (UFSC), Especialista em Direito Processual Civil, em Inteligência Artificial e em Ciência de Dados e Big Data Analytics, Professor no Mestrado da Universidade Europeia de Lisboa, Coordenador do Comitê Gestor de Proteção de Dados do TRF4, Juiz Federal.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0957260204562486.
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3334-3275.